DEPRESSÃO E NUTRIÇÃO

A depressão é uma doença de saúde mental grave, um transtorno muito comum nos dias de hoje e muito sério, o qual impacta diretamente no dia a dia do indivíduo e o modo como este reage com o meio onde vive. Sua causa deriva de um mix de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos.

A pessoa fica deprimida quando o corpo reduz ou cessa a produção de neurotransmissores importantes como a serotonina e a dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e bem estar dos seres humanos.

Além do tratamento com medicamentos e do acompanhamento com profissionais especializados, já se sabe que o exercício físico e uma alimentação de qualidade, estimulam a produção de serotonina e dopamina que influenciam diretamente na melhoria dos sintomas da depressão. Além disso, parte é produzida pelo nosso intestino, portanto não podemos negligenciar a saúde intestinal também. Estima-se que cerca de 90% da serotonina e 50% da dopamina presente no organismo é fabricada pelas bactérias do intestino.

Sendo assim, a composição nutricional do prato pode contribuir para a redução de sintomas e combate desse transtorno. Trazendo nutrientes essenciais com efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores para o cérebro, como diversos minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais que ajudam a combater melhor as consequências negativas desta doença.

Em contrapartida, uma alimentação inadequada contribui para uma piora dos sintomas, principalmente, no caso de serem pobres em nutrientes, com muita presença dos produtos industrializados.
Quando o fornecimento de certos tipos de nutrientes é reduzido, o sistema nervoso têm dificuldade de realizar suas atividades normalmente. Como consequência temos uma menor oferta de neurotransmissores e falhas na comunicação entre os neurônios, fatores que elevam a probabilidade de enfrentar desordens mentais, como a depressão.

Alguns estudos mostram que as pessoas com depressão se encontram em um estado de inflamação sistêmica crônica, sendo interessante uma estratégia nutricional mais anti-inflamatória.

Alguns alimentos podem ajudar a produzir mais serotonina e dopamina, aumentando o bom humor e ajudando no combate da depressão. Entre eles estão o ômega-3, magnésio, fibras, zinco, cálcio, além das vitaminas C, D, Complexo B.

Confira abaixo alguns alimentos fonte:

* Ômega 3: possui ação anti-inflamatória, fortalece o sistema imunológico e melhora do humor (peixes de águas profundas como salmão, atum e bacalhau);
* Magnésio: é um “tranquilizante natural”, auxilia no relaxamento muscular esquelético, vasos sanguíneos e tratogastrointestinal (chocolate amargo, castanhas e o arroz integral);
* Complexo B: responsáveis pela saúde mental (leite, banana, fígado, ameixa, melancia, folhas de cor verde escuro, feijão branco, laranja, aspargo, maçã, soja, abacate, arroz integral, batata, salmão, lentilha, aveia, nozes);
* Vitamina C: o ácido ascórbico é utilizado na síntese de moléculas que servem como hormônios e neurotransmissores (frutas cítricas – laranja, acerola, limão, mexerica);
* Triptofano: responsável pela produção de serotonina e de melatonina, atuantes na inibição da ira, agressão e auxílio do sono (peixe, nozes, castanhas, chocolate amargo, queijo tofu, leite e derivados, carnes, ovos, leguminosas e espinafre);
* Cálcio: essencial para comunicação entre neurônios (leite e derivados);
* Zinco: participar também da comunicação entre os neurônios (carnes, leguminosas, sementes de gergelim e abóbora, leite e derivados, grãos inteiros);
* Vitamina D: importante na saúde do sistema nervoso, participar em diversas funções (exposição solar, gema de ovo, fígado, leite e derivados);
* Não se esquecendo de manter a hidratação do organismo e ter uma alimentação rica em fibras para manter a flora intestinal saudável (farelo de aveia, frutas, verduras, legumes e biomassa de banana verde);
* Incluir o cacau (rico em feniletilamina, precursora da serotonina).

Este artigo foi escrito pela nutricionista Mariana Teixeira.

CÓLICAS MENSTRUAIS

O que são as cólicas ou câimbras uterinas?
Os períodos dolorosos são conhecidos como cólicas e o termo médico utilizado é dismenorreia.
Elas ocorrem em quase todas as mulheres que menstruam em algum momento de suas vidas. Sendo que em algumas, elas interferem no trabalho ou na frequência escolar e com certeza na qualidade de vida. Se forem graves e de longa duração, é possível que a mulher tenha endometriose.

As cólicas são comuns em adolescentes normais, na perimenopausa e no uso de alguns contraceptivos hormonais (períodos quando os níveis de estrogênio aumentam e os da progesterona diminuem).
Geralmente as cólicas diminuem ou desaparecem com o primeiro parto.

O que causa cãibras?

O objetivo das cólicas é ajudar o útero a se livrar endométrio (revestimento uterino), no final de um ciclo menstrual que não levou à gravidez.

O aumento da pressão dentro do útero pelo endométrio que está se espessando e às mudanças hormonais do final da menstruação, elevam a produção uterina do hormônio prostaglandina, que aumentam a compressão e a contração do músculo do útero, o miométrio, determinando o surgimento das cólicas menstruais.

Nas mulheres que já tiveram filhos, há uma adaptação fisiológica à distensão uterina, reduzindo as possibilidades do surgimento das cólicas.

As alterações hormonais que determinam o aumento das prostaglandinas são:

– A elevação da progesterona secundária a ovulação e a sua queda abrupta no final da menstruação. Então, normalmente as mulheres que apresentam cólicas menstruais estão tendo ciclos ovulatório.
– O desequilíbrio na quantidade produzida ou ingerida de estrogênio, que possui uma ação uterina e mamária mais inflamatória, em comparação com a quantidade adequada de progesterona, que possuem por natureza uma ação anti-inflamatória.

Como podemos tratar as cãibras?
Agindo na causa:
– Alterar a produção e variação normal da produção dos hormônios sexuais da mulher com os anticoncepcionais orais combinados.
– Reduzindo a produção de prostaglandinas com medicamentos como o ibuprofeno.
Tome 400 mg ao primeiro sinal de cólicas e depois, a cada 4 a 6 horas se necessário.
Tome um (200 mg) cada vez que as cólicas começarem a voltar.

A ALIMENTAÇÃO NO COMBATE À FLACIDEZ

A pele é o maior órgão do corpo humano, é essencial para nossa sobrevivência, exercendo várias funções em nosso organismo. Ela atua como a primeira linha de defesa do organismo contra bactérias e vírus, é responsável pelas funções sensoriais (pressão, frio, tato, calor, dor) e de regulação térmica, além de manter o equilíbrio dos líquidos. E quando o assunto é pele, está diretamente ligada à autoestima.
De forma esperada, à medida que o corpo vai envelhecendo, a pele sofre mudanças, perdendo constituintes importantes da sua sustentação, como colágeno e ácido hialurônico. E dependendo do estilo de vida do indivíduo, este envelhecimento pode ser acelerado. Daí surge a temida flacidez. Existem outros fatores que também podem influenciar e/ou desencadear o processo de flacidez.
Uma alimentação equilibrada e focada para tratamento da flacidez, pode ajudar e muito nos resultados. Além de contribuir para sua prevenção.
O desejado colágeno é sempre uma opção quando o assunto é flacidez. E o que é o colágeno? É uma proteína e sua principal função é dar estrutura, sustentação celular, compondo várias estruturas do corpo, como, por exemplo, a pele, ossos, cartilagens, ligamentos e tendões, vasos sanguíneos, órgãos internos, músculos e outros.
O colágeno é composto principalmente dos seguintes aminoácidos: lisina, glicina, prolina e hidroxiprolina. Mas, também contêm outros aminoácidos em menor proporção. Ele, realmente, se faz importante para a estrutura de tecidos, mas sozinho não faz milagre! Pois para a síntese de colágeno no corpo, são necessários outros nutrientes. Além dos aminoácidos, o ômega, vitaminas (C, E, piridoxina, betacaroteno, ácido pantotênico e biotina) e os minerais (manganês, selênio, cromo, cobre, zinco e silício) são indispensáveis.

É preciso antes de tudo que o indivíduo esteja fazendo uma atividade física que irá estimular a síntese de proteínas, pois o colágeno é uma proteína e sendo assim, o corpo só faz síntese proteica a partir de um estímulo específico. Portanto, de nada adianta ter os ingredientes para o bolo sem a batedeira. Entende?
Um detalhe importante é o fato de o corpo mobilizar os nutrientes ingeridos para melhorar outras regiões mais importante do que a pele, por exemplo, melhora da elasticidade dos vasos sanguíneos. Por esse motivo que o colágeno quando consumido via oral, pode não fazer efeito na pele. Para ser aproveitado na pele, é preciso que a demanda de nutrientes que o organismo precisa, internamente, esteja em dia.

Além dos nutrientes e estímulos já citados, a introdução de compostos bioativos e fitoquímicos auxiliam muito no combate do excesso de radicais livres que destroem a matriz de colágeno, impedindo assim o surgimento da flacidez.

Alguns dos alimentos que não podem ficar de fora da lista de compras:
-Carnes magras, peixes e ovos;
– Leite e derivados;
– Cereais integrais (cevada, centeio, arroz, aveia);
– Leguminosas (feijão, ervilhas, soja);
– Oleaginosas (castanha do pará, castanha de caju, amêndoas, nozes);
– Frutas cítricas (limão, laranja, acerola, goiaba, abacaxi, kiwi, morango);
– Vegetais (batata doce, cenoura, berinjela, mandioca, abóbora, beterraba, cebola, alho, milho, berinjela, beterraba, nabo, cogumelos, tomate, brócolis, espinafre, agrião;
– Sementes (linhaça e chia);
– Chás ao longo do dia (camomila, gengibre, erva cidreira, melissa).

MELATONINA E A QUALIDADE DO SONO

A melatonina é erroneamente conhecida como o hormônio do sono, quando na verdade é hormônio da escuridão.

A produção hipofisária de melatonina é estimulada pela ausência de luz nos neurônios da retina ocular, começando em torno de 2 horas antes do horário habitual de dormir e tem picos em torno de 3 a 4 horas da manhã.

Já com essas informações podemos tirar algumas conclusões:
1: A presença de luz constante por 2 horas são capazes de inibir completamente a sua produção, como ficar muito próximo de uma TV, tablet ou tela de computador.
2. As repetidas exposições à luz atrasam a sua produção, como ficar pegando “volta e meia” o celular.
3. O porquê o sono das 3 horas da manhã é o mais gostoso.
4. A tamanha importância da realização de uma higiene do sono adequada. Devemos evitar estímulos luminosos, sonoros, aromáticos ou de concentração 2 horas antes de dormir.

Além de controlar os ritmos circadianos de sono-vigília, está relacionada com o controle da atividade motora, alimentação e síntese de corticoide. Explicando o porquê de quem dorme mal tem uma tendência maior ao sedentarismo, piora do padrão e qualidade alimentar e ao ganho de peso.

A melatonina melhora a qualidade imunomudolatória (imunidade), anti-inflamatória (redução do estado de inflamação aguda e crônica), antitumoral (prevenção ao câncer) antioxidante (reduzindo a produção de radicais livres e o envelhecimento) e cronobiológica (regulando os ritmos biológicos do corpo, como alimentação, defecação etc.).

A melatonina é sintetizada a partir da serotonina, explicando em parte o porquê de uma pessoa com depressão e ansiedade dorme pior, a melhora do sono por um tratamento com fitoterápicos (5 HTP, triptofano) ou antidepressivo (inibidores seletivos da recaptação da serotonina, exemplificando a sertralina e o escitalopram) e como uma alimentação melhor pode estimular o sono.

Em torno de 80% da produção da nossa serotonina são realizadas pela flora bacteriana intestinal e uma alimentação de má qualidade pode levar a um desequilíbrio da flora e consequente redução da produção da serotonina e assim, a alterações do humor como na depressão e na ansiedade.

A melatonina induz o sono através da redução da temperatura corporal, provavelmente por meio de sua ação nos receptores existentes em vasos sanguíneos periféricos, resultando em vasodilatação e consequente atividade nos centros do sono do hipotálamo. Aqui conseguimos entender o motivo de dormimos melhor no frio.

A suplementação da melatonina pode ser uma boa estratégia. Ela melhora a qualidade do sono em indivíduos com insônia, mas não em hígidos.

A sua eficácia de ação está diretamente associada a condições do individuo e do ambiente. É potencializada quando fazemos a higiene do sono, já estamos com um pouco de sonolência, o ambiente está frio e aconchegante e estamos na posição de decúbito. Resumidamente, devemos tomar quando estamos deitados para dormir e quem sabe no ar-condicionado.

Se você toma a melatonina e continua ativo e na luminosidade, ela não irá te ajudar. Fazendo tudo corretamente ela irá te induzir a uma qualidade do sono semelhante ao natural, como uma menor latência para o início do sono, um sono mais profundo, com menos microdespertares, com sentimento de um sono mais reparador e com um bem-estar diurno.

Outras utilizações extremamente interessantes da melatonina são no Jet lag, na adequação do horário de dormir e na adaptação dos horários de trabalho noturnos.

Sempre que viajamos a locais com diferentes fusos horários, demoramos uns 3 dias para nos adaptar, tanto na ida quando na volta, o que pode atrapalhar o nosso passeio ou o rendimento no trabalho. Este efeito pode ser minimizado pela melatonina que acelera esta adaptação do ciclo circadiano de sono e vigília.

Na pandemia do Corona vírus, foi muito comum a desregulação do padrão do sono, em que as pessoas começaram a ir dormir e a acordar bem mais tarde. O retorno ao horário correto do sono pode ser uma dificuldade e este pode ser facilitado com a criação de hábitos de higiene do sono e com o uso da melatonina. Vamos elaborando estratégias de ir dormindo cada vez mais cedo e aos poucos conseguimos adequar o padrão do sono.

Nos trabalhadores noturnos há uma maior dificuldade de começar a dormir e ter um sono de qualidade, algo que pode ser minimizado com a melatonina.

Lembre-se que falamos que a produção da melatonina começa 2 hs antes de dormimos e com o anoitecer? Em quem tem que dormir de manhã não acontece isso. Então a suplementação da melatonina pode mimetizar esta produção. Junto temos que criar um ambiente propício, sem barulho (lugares tranquilos, tampões de ouvidos ou criar som de ruídos brancos, no escuro (cortinas blecaute) e com temperatura agradáveis (ventiladores e ar-condicionado). Também podemos intender alguns dos motivos de quem trabalha a noite ter uma maior tendência ao ganho de peso. Como falado acima, a melatonina participa do controle da alimentação, da produção de corticoide e ao estímulo da atividade física.

A produção da melatonina reduz no envelhecimento e em algumas doenças, como no diabetes. Sendo utilizada para tratamento do distúrbio de sono em idosos e até no controle glicêmico do diabetes.

Sua produção é estimulada pelo escuro e ao contrário da vitamina D, não há qualquer relação com a exposição aos raios solares. Ela é sintetizada a partir da serotonina, então a alimentação que estimula a produção da serotonina irá criar mais substratos para a produção da melatonina.

A casca de uva é fonte direta da melatonina. A banana é rica em triptofano, aminoácido responsável pela síntese de serotonina. Os aspargos são ricos em vitamina C e ácido fólico que auxiliam na absorção dos triptofanos. O leite e derivados contém cálcio que são necessários para processamento do triptofano.

Outros alimentos são o abacaxi, laranja, acerola, grão-de-bico, aveia, cereais, arroz integral, nozes.

A dose, varia de 0,1 mg a 10 mg, sendo as menores doses as mais próximas dos fisiológico. Com as doses maiores é mais comum o surgimento de efeitos colaterais, que são eles:
– Fadiga ou sonolência excessiva durante o dia;
– Falta de concentração;
– Piora da depressão;
– Dor de cabeça ou enxaqueca;
– Sonhos vívidos ou pesadelos;
– Tontura, fraqueza ou confusão mental;
– Aumento da pressão arterial;
– Náusea ou dor de estômago;
– Aftas ou boca seca;

A suplementação da melatonina deve ser realizada em pessoas com insônia, já realizando uma higiene de sono e se possível, uma mudança de estilo de vida completa.

Não são recomendadas para gestantes e lactantes. Em crianças, deve ser prescrita com cuidado e por pediatras para crianças portadoras de desordens neurológicas múltiplas que cursam com insônia grave e/ou crônicas.

MARGARINA FAZ MAL PARA NOSSA SAÚDE?

De modo geral, manteigas e margarinas contêm quantidades próximas de calorias e gorduras. O que as difere é a origem das duas.
A margarina deve ser evitada porque, apesar de conter vitaminas, também possui conservantes e estabilizantes, além de ser uma gordura criada artificialmente (uso de óleo vegetal modificado), que passa por processos químicos para ficar sólida.
Um produto industrializado que possui cerca de 20 INGREDIENTES!
O que é óleo vegetal modificado?
Antigamente a indústria utilizava o processo de hidrogenação para fazer com que o óleo vegetal se solidificasse e atingisse a textura cremosa. Esse processo é que transforma a gordura em TRANS.
Hoje, a indústria mudou o processo, que se chama Iteresterificação. Esse processo também muda a estrutura química do óleo vegetal, mas sem transformá-lo em gordura TRANS.
Apesar de não ter a gordura trans, o produto aumenta LDL e diminui o HDL (colesterol bom). Além disso, estudos em animais tem sugerido danos ao cérebro, gestantes, indução do diabetes e problemas no fígado.
Já a manteiga, apesar de ser rica em gordura saturada e colesterol, é um produto natural, metabolizado naturalmente pelo nosso corpo e também por isso foi destacada pelo Guia alimentar.
Possui somente 2 ingredientes naturais e reais.
A manteiga é um alimento rico em gorduras e sua ingestão em excesso está comprovadamente associado a riscos para a saúde. Portanto, deve ser consumido com moderação.
Embora a manteiga tenha um processo mais natural de elaboração, deve ser consumida com equilíbrio e atenção, associada a uma dieta diversificada, adequada e balanceada e, claro, rica em nutrientes.

Esse artigo foi escrito pela nutricionista Letícia Tona.

FLACIDEZ

O que é?

Existem dois tipos de flacidez, a tissular (de pele) e a muscular.

A flacidez do tecido cutâneo (pele) é um processo lento e progressivo e a sua fisiopatologia está diretamente relacionada com a redução da produção de fibras de colágeno e de elastina responsáveis pela sustentação e elasticidade respectivamente. Ela começa ocorrer a partir dos 25 anos de idade, e por ser um processo fisiológico, é inevitável.

A flacidez muscular é causada pela redução da tonicidade dos músculos, comuns principalmente em pessoas sedentárias. Os músculos ficam flácidos, principalmente por causa da falta de exercícios físicos. Se eles não são solicitados, as fibras musculares ficam hipoatrofiadas.

É muito comum que os dois tipos apareçam associados, dando aspecto ainda pior às regiões afetadas do corpo. Podemos classificá-las em quatro estágios:

– Fase Elástica: Quando o tecido for submetido a uma tensão, apresentará uma resistência. Voltará ao normal quando a carga for retirada.

– Fase de Flutuação: Se a carga de tensão for retirada, o tecido submetido não voltará a configuração inicial.

– Fase Plástica: Nesta fase ocorre uma deformação permanente no tecido, ou seja, se o tecido passar do seu limite de elasticidade, esta deformação se torna permanente. O tecido já apresenta queda.

– Ponto de Ruptura: Depois de um estiramento total, o organismo tentou reverter e não conseguiu. Neste caso já há a instalação de estrias, que são as rupturas das fibras da pele. É como se o um pano fosse esticado até o seu máximo, não aguentasse a força e rasgasse.

 

Causas mais comuns

As principais causas de flacidez são:

– Fator genético: O envelhecimento natural do organismo leva à flacidez e a herança genética é uma componente importante nesse processo.

– Envelhecimento: O envelhecimento do organismo como um todo se relaciona com o fato das células do corpo começarem a morrer e não serem substituídas por novas, como acontece na juventude. Fisiologicamente, o envelhecimento está associado à taxa mais lenta de renovação celular e à redução da rede vascular e glandular. A função de barreira que mantém a hidratação celular também fica prejudicada.

– Emagrecimento: A flacidez pós-emagrecimento surge quando a perda de peso ocorre de forma rápida e repentina, como por exemplo, quando é feito uma dieta ou cirurgia bariátrica. Em alguns casos, a pele não consegue ter uma boa capacidade de retração diante da redução do volume de gordura.

– Sedentarismo: A flacidez muscular tem como principal causa o sedentarismo, falta de exercício físico e alimentação inadequada. Com o passar dos anos há uma redução natural da nossa massa muscular. Assim como a nossa pele perde seu turgor e elasticidade com o passar da idade, a musculatura também tem suas mudanças e as fibras musculares tendem a reduzir na sua quantidade e no seu volume, principalmente quando não são trabalhadas. Sabe-se que a massa muscular está intimamente ligada à longevidade e maior mobilidade, e o exercício resistido (com carga) é um dos melhores mecanismos para prevenir essa perda de massa magra, associados a uma dieta de bom valor nutricional.

– Exposição excessiva ao sol: a radiação ultravioleta é um fator de risco para a formação de radicais livres. Esses são responsáveis pela degradação do colágeno, substância essencial para a sustentação da pele. Dessa forma, a exposição excessiva aos raios UV, pode causar flacidez cutânea, deixando o rosto com menos firmeza e sem o contorno bem definido.

– Tabagismo: O cigarro prejudica a circulação de sangue pelo corpo, o que dificulta a síntese de colágeno e elastina.

– Alimentação: O consumo em excesso de açúcares e carboidratos pode levar a um processo chamado de glicação, que é a união de uma molécula de glicose com uma de proteína, danificando as fibras de colágeno e elastina, dando um aspecto envelhecido a pele.  Por outro lado, dietas muito restritivas diminuem o aporte nutricional a pele, o que também prejudica diretamente na qualidade dérmica.

– Gravidez: A gestação leva a um aumento do volume uterino com consequente distensão da pele. Nesta fase, quanto maior for o ganho de peso, maior será o estiramento da pele, dificultando ainda mais seu processo de retração.

 

Quem são os mais afetados

Todos nós estamos sujeitos a desenvolver qualquer tipo de flacidez, pois é uma disfunção que não depende somente do fator genético, como também dos nossos hábitos de vida, podendo ter variações no grau do acometimento e a região do nosso corpo (se localizada ou generalizada). Os que apresentam propensão à uma flacidez mais acentuada são os obesos que passarem por um processo de emagrecimento, cuja a pele não consegue retrair na mesma velocidade e com qualidade; os sedentários que nunca tiveram o hábito da atividade física; e os que se expuseram ao sol de maneira excessiva, sem proteção solar adequada.

 

Cuidados diários para prevenir

– Hidratação: A ingestão de água é fundamental para a melhora e manutenção da qualidade dérmica. A pele hidratada tem mais viço e é mais uniforme o que a torna ainda mais bela. Fazer uso de cremes com alto poder de hidratação também é fundamental pois esses formam uma barreira com o intuito de reter a água na pele, evitando a perda excessiva de água para o ambiente.

– Atividade Física: O trofismo muscular pode ser graduado em: hipotrofia (redução do volume e da força muscular), hipertrofia (aumento do volume e da força muscular) e atrofia (ausência total de trofismo muscular). A prática de atividade física regular estimula a produção de que leva a um aumento do trofismo muscular, prevenindo a flacidez muscular.

– Evitar à exposição solar excessiva e em horários cuja a incidência solar é muito forte (10hs às 16hs): A radiação solar propicia a produção de radicais livres, responsáveis pela degradação do colágeno.

 

Tratamentos disponíveis 

O principal e melhor tratamento para a flacidez é a PREVENÇÃO. Quanto antes agirmos para não deixarmos que ela evolua tão rapidamente, melhor. Os melhores   tratamentos e os mais realizados atualmente são:

Não cirúrgicos:

– Bioestimuladores de Colágeno: são substâncias capazes de estimular à produção de colágeno com uma durabilidade maior. Os bioestimuladores mais utilizados são: Sculptra – Ácido poli-L-lático (PLLA) e Radiesse – Hidroxiapatita de Cálcio (HaCA). Eles melhoram a qualidade dérmica, aumentando a sustentação, elasticidade e preenchimento.

– Radiofreqüência: Terapia capaz de induzir a produção de novas fibras de colágeno, através da geração de calor.

– Intradermoterapia: Aplicação de injeções intradérmicas de ativos farmacológicos diretamente na derme.

– Carboxiterapia: Consiste na aplicação de injeções de gás carbônico sob a pele com o intuito de melhorar a flacidez, por ser capaz de aumentar circulação periférica local e melhorar a oxigenação tecidual.

– Microagulhamento: Indução à produção de colágeno através de um estímulo mecânico gerado pelo rolamento de um cilindro contendo microagulhas sobre a pele.

– Fios de PDO: São compostos de Polidioxanona. Existem dois tipos: os lisos e os espiculados. Os lisos somente estimulam a produção de colágeno já os espiculados possuem espículas (garras) bidivergentes que promovem a tração e o efeito lifting além do estímulo à produção de colágeno.

Cirúrgicos:

– Lifting Facial: Também chamada de Ritidoplastia, é a cirurgia em que se retira o excesso de pele do rosto, papada e pescoço

– Abdominoplastia: Retirada do excesso de pele na região do abdômen

– Mamoplastia de aumento: Colocação de prótese mamária nos casos em que a flacidez não é muito acentuada na região das mamas, em que a prótese de silicone somente já é suficiente para preencher.

– Mastopexia: Retirada do excesso de pele na região da mama.

– Mastopexia com Prótese: Retirada do excesso de pele dos seios associada à colocação de prótese mamária.

– Blefaroplastia: Retirada do excesso de pele na região das pálpebras inferior e superior.

 

Quem deve procurar tratamento

Por ser uma disfunção estética progressiva e fisiológica em que todos nós iremos passar por ela, também cabe a todos nós cuidarmos para prevenir e retardar ao máximo o seu acometimento.  De acordo com os hábitos comportamentais, propensão genética e exposição aos fatores ambientais, o cuidado deve ser iniciado o quanto antes.

 

Esse artigo foi escrito por Juliana Vaz, dermatofuncional.

MAS AFINAL, O QUE É A FOME?

De acordo com o dicionário, fome significa desejo ou necessidade urgente de alimento, uma sensação causada pela necessidade de comer. E segundo a fisiologia, é a sensação que o nosso corpo produz quando necessita de energia e nutrientes. Sendo assim, o estômago vazio libera um hormônio chamado grelina, que age diretamente no cérebro ativando esta sensação.

Normalmente comemos por uma questão de necessidade física, sem ligação à um alimento específico. No entanto, às vezes, ocorre a busca por um alimento específico por uma necessidade emocional (alegria, tristeza, ansiedade, estresse e depressão). Pensamos ser fome também, mas não é uma fome real. É uma necessidade gerada pelos nossos sentimentos. Ao se descontar na comida, se cria um atalho fácil e prazeroso e esta prática pode levar à compulsão alimentar.

Qual é a sua fome?

Você sabe identificar os tipos de fome que sente? É importante entender a diferença aprendendo a identificar a necessidade e o porquê da sensação. Isto porque o corpo dá sinais se a fome é fisiológica ou emocional.

Na fome física, a necessidade é orgânica com aumento gradual da fome e é possível aguardar um pouco para comer. Pode haver dores de cabeça, dores de estômago, tontura e irritação. Há a interrupção do ato de comer ao se saciar, não desaparecendo com a prática de outra atividade e após comer se tem a sensação de bem-estar.

Já a fome emocional tem ligação com o prazer e desejo, o indivíduo sabe que se comer o alimento irá ter prazer, conforto, ou até mesmo pode ser por recompensa. A vontade vem do nada e sempre por um alimento específico, na maioria das vezes, são alimentos bem calóricos e sem valor nutricional como doces. Não é possível aguardar, tem que ser naquela hora e desaparece se for feita outra atividade. Sem sensação de saciedade e acompanhada de culpa e frustração.

Podemos, ainda, subdividir a fome emocional em três tipos:

Vontade ou fome afetiva

Acontece quando você se depara com uma imagem ou cheiro de um alimento, por exemplo, um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Mesmo sem fome, tem se a vontade de comer tal alimento, pois lhe traz boas lembranças de uma época vivida e/ ou da pessoa que fazia aquele bolo.

E se não comer naquela hora, provavelmente vai ficar pensando no bolo o dia todo.

Neste tipo de vontade, você sabe exatamente o que quer. Sabe claramente qual sabor quer sentir. Caso Identifique que a vontade é de fundo afetivo, coma um pedacinho saboreando lentamente com moderação e sem culpa. Pois uma vontade reprimida, pode ir se acumulando e retornar de forma mais acentuada posteriormente, se transformando em compulsão. É melhor do que comer de forma exagerada depois.

 

Vontadezinha ou fome social

Esta é uma vontade que aparece nos momentos de comemorações (festas, confraternizações, reuniões) com amigos e familiares. O comer e beber coisas gostosas ao lado de pessoas queridas.

Não precisamos abrir mão destes momentos, eles são importantes para nossa saúde mental. Você apenas precisa encontrar o equilíbrio, sendo mais consciente com as necessidades do seu corpo e menos distraído. Apreciando os alimentos em pequenas proporções, evitando a gula, balanceando com alimentos mais saudáveis e retornando a alimentação normal ao longo da semana.

 

Vontadezona ou fome emocional

Uma vontade ativada pelo mecanismo de recompensa. A comida é vista como um acalento, um troféu, após, por exemplo, um dia estressante, cansativo, frustrante ou triste. Você logo pensa: HOJE EU MEREÇO!

Você acredita que realmente precisa comer algo muito gostoso para tentar resolver esse sentimento interno. E nosso cérebro não é bobo, ele sabe que a recompensa é maior com a combinação de alimentos que contenham açúcar e gordura, afinal são ingredientes mais palatáveis.

Por isso, a primeira coisa que você pensa é em alimentos como: chocolate, sorvete, bolo, pizza, bolacha, pão com manteiga, e outros ou você já pensou, nestas horas, em comer ovo cozido com alface?

A fome emocional é perigosa porque é ela que faz as pessoas terem uma relação errada com a comida. Você come por outros motivos, para cobrir o buraco que os sentimentos abriram. E a verdade é que estes sentimentos não vão embora mesmo se você comer todo aquele alimento desejado. Você pode até sentir um prazer temporariamente, mas o mais adequado seria tratar estes sentimentos negativos procurando a origem e de repente até buscar ajuda profissional.

 

Dicas para evitar a fome emocional e criar um relacionamento saudável e prazeroso com a comida:

– Identifique os gatilhos que ativam a vontade de comer. Observe quando surge o desejo e trabalhe na solução dessa questão.

 

-Mastigar devagar ao se alimentar, pois a sensação de saciedade demora a chegar até o cérebro, por isso é importante comer com calma.

 

– Procure outras formas de extravasar a energia, fazendo outras atividades que gosta. Faça uma lista das coisas que lhe dão prazer. Exemplos, leitura, atividade física, tomar um banho relaxante, se distrair om animais e/ ou filhos.

 

– Pratique Mindful Eating, uma técnica que visa a atenção plena ao se alimentar, trabalhando os 5 sentidos (principalmente visão, olfato e paladar), sem distrações, como, televisão, celular e computador, por exemplo.

 

Esse artigo foi escrito pela nutricionista Mariana Teixeira.

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A FINASTERIDA

Neste artigo iremos comentar de forma simples e fácil tudo o que você precisa saber sobre a finasterida. Ao final saberá o que é, como funciona, quais são as indicações, os benefícios, os possíveis efeitos colaterais e as principais dúvidas de um consultório endocrinológico.

Primeiramente, antes de falarmos da finasterida o ideal é que você tenha um pequeno entendimento de como funciona a nossa produção dos hormônios sexuais e com base fica fácil a explicação de todas as suas dúvidas.

 

Como é a produção dos hormônios sexuais:

 

De forma reduzida e de fácil entendimento, a grande maioria dos hormônios sexuais são produzidos pelo pela relação entre duas glândulas, a hipófise e o testículo (homem) e a hipófise e os ovários nas mulheres.

A hipófise é uma glândula mestre que fica localizada próximo ao cérebro e é responsável pela produção de vários hormônios, que atuam principalmente coordenando o funcionamento de outras glândulas. Facilitando o seu raciocínio, pense nela como um gerente que envia mensagens de comandos a um funcionário.

No caso dos hormônios sexuais, a hipófise produz dois hormônios que são o LH e FSH, que agem no homem estimulando a produção de testosterona e de espermatozóide e na mulher a ovulação e a produção de estrogênio, progesterona e de testosterona. A testosterona produzida é metaboliza em outros dos hormônios, o estrogênio pela ação da enzima aromatase no tecido adiposo e em dihidrotestosterona (DHT) pela ação da enzima 5 alfa redutase em tecidos alvos, como próstata, pele e CABELO. A produção de todos estes hormônios sexuais, principalmente o estrogênio, informa a hipófise de como anda o nosso controle hormonal.

Simplificando ainda mais, o gerente (glândula hipófise), manda uma mensagem (hormônio LH) para o funcionário (testículo) estimulando a sua produção (testosterona). Ao avaliar o produto (hormônio estrogênio), o gerente (hipófise) avalia se precisa estimular ou inibir a cascata de produção hormonal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora que entendeu este funcionamento hormonal, iremos falar da queda de cabelo secundária pelo metabólito da testosterona, a famosa ALOPÉCIA ANDROGÊNICA.

 

Alopécia androgênica: Como a DTH atrapalha a fase de crescimento do cabelo.

 

Esta é a principal causa de queda de cabelo nos homens e uma das principais nas mulheres.

Dentro do folículo piloso (local de nascimento do cabelo), a testosterona é metabolizada em DHT e este hormônio pode influenciar negativamente no ciclo de crescimento do cabelo, levando a um processo de miniaturização do fio. 

 

 

 

 

 

O ciclo do cabelo conta com 3 fases, a fase de crescimento do fio (fase anágena), a de repouso (fase telógena) e a de queda (fase catágena).

 

 

 

 

A miniaturização dos fios começa por áreas mais sensíveis a DHT, localizadas na fronte e em padrão de coroa no homem e na linha média do couro cabeludo em mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

Nesta área há uma redução da porcentagem de fios que entram na fase de crescimento e esta torna-se mais encurtada, resultando em cabelos mais curtos. Além disso, mais cabelos ficam em estado de repouso e estes são mais sujeitos à queda em função de traumas cotidianos como pentear e lavar.  O que percebemos nitidamente é que os fios vão ficando cada vez menores, mais finos, mais leves, com uma coloração mais clara e que finalmente caem, deixando uma área desnuda.

 

 

 

 

 

Como entra a finasterida na alopécia androgênica?

 

Já que a queda de cabelo é propiciada pelo hormônio dihidrotestosterona (DHT), o raciocínio mais lógico seria então reduzir a sua produção pelo corpo ou a sua ação no folículo piloso, então com base nisso foi criado a finasterida.

A finasterida é uma substância inibidora da 5 alfa redutase, que é a enzima que converte a testosterona em dihidrotestosterona, consequentemente a finasterida impede justamente a produção do hormônio que leva a queda de cabelo.

 

Quem precisa usar a finasterida?

Teoricamente, os pacientes que apresentam queda de cabelo secundária à ação da dihidrotestosterona, o que pode ocorrer tanto em mulheres quanto em homens.

 

Devo usar a finasterida?

Já aqui a resposta é diferente, pois deve se sempre uma escolha individual e depende do sexo, da idade de surgimento e da velocidade da queda de cabelo.

 

Vamos falar incialmente dos homens e serei bem direto no assunto:

Se você apresenta uma alopécia androgênica desde jovem e de rápida evolução, esta é realmente a melhor medicação para você e provavelmente a única que irá te ajudar completamente.

Se a sua queda de cabelo está acontecendo em uma idade mais avançada e com uma evolução mais lenta, o ideal seria tentar primeiramente outras medicações, que podem ser de uso tópico local ou até via oral.

Resumindo: Queda de cabelo antes dos 20 é igual a finasterida. Antes dos 30 anos, se estiver de forma mais acelerada e avançadas e sem repostas aos outros tratamentos, devemos avaliar o uso da finasterida.  Já acima dos 40 anos, a avaliação do risco e benefício deve ser mais criteriosa e sempre deve ser tentar antes tratamento tópicos com loções, bonés de LED, microagulhamento, MMP (microinfusão de medicamentos na pele, como finasterida, dutasterida, fatores de crescimento capilar, minoxidil e outros), minoxidil oral e por último a finasterida.

Mas porque isso tudo? Pelo possível efeito colateral que pode acometer alguns homens, a redução de libido. A relação da idade é porque no avançar da idade a uma maior probabilidade de acúmulos de fatores que podem levar a redução da libido, como redução progressiva da testosterona, uso de algumas medicações, acometimento por algumas doenças ou até situações de estresse e ansiedade.

 

Agora direcionando para as mulheres:

Uma das situações mais angustiantes para a mulher é a queda de cabelo e a redução do seu volume, então a tendência das mulheres é sempre quererem um tratamento mais intenso e com maior dinamismo possível, mas temos que ter alguns cuidados, porque aqui pode vir algumas armadilhas.

A primeira coisa é avaliar o valor da testosterona nas mulheres, porque se elevado a propedêutica inicial é sempre fazer o diagnóstico causa e tratá-la diretamente. Os principais motivos são o uso exógeno da testosterona, a síndrome do ovário policístico (SOP) e a hiperplasia adrenal congênita.

Após isso, iremos focar o nosso tratamento, que pode ser através da redução da produção, da ação ou da metabolização da testosterona em DHT.

Nos distúrbios endocrinológicos e dos hormônios sexuais, a primeira medicação que tendemos a usar são os anticoncepcionais orais, já que eles reduzem a produção ovariana de testosterona e a sua quantidade bioativa (disponível para se ligar aos receptores). Além disso, há anticoncepcionais com progestágenos de ação antiandrogênica, que se ligam no receptor da testosterona, tornando-o indisponível para a ligação da testosterona.

A escolha desta classe de medicação vem de acordo com a causa, como no caso da síndrome dos ovários policísticos (SOP), de acordo com a clínica (acne, aumento de pelos, TPM, cólica e irregularidade menstrual, enxaqueca, inchaço…) ou pelo desejo de contracepção.Caso você não se encaixe na alternativa acima ou não deseje usar anticoncepcional ou ele não está sendo suficiente para reduzir a sua queda de cabelo, passamos para uma nova medicação, a espironolactona. Ela age reduzindo um pouco a produção ovariana de testosterona e por se ligar no receptor de testosterona, impedindo consequentemente a ligação e ação da DHT.

Somente por último avaliamos a prescrição da finasterida ou da dutasterida (inibidor da 5 alfa redutase mais potente), pois nas mulheres esta classe de droga é teratogênica, podendo levar a má formação fetal, quando usadas durante a gestação.

O ideal é que a mulher esteja em uso de um método contraceptivo.

 

Devo usar apenas a finasterida:

A finasterida por diminuir a dihidrotestosterona reduz a queda do cabelo, porém o volume é uma relação entre a quantidade de fios que nascem e caem diariamente, assim o tratamento ideal deve também focar no nascimento e crescimento dos fios.

Pensando nisso, devemos fornecer os micronutrientes essenciais para a formação dos fios (alimentação e suplementação específica para cabelo, peles e unhas) e promover a fase de crescimento do cabelo. O raciocínio é claro, o fio que está crescendo não está caindo! A principal medicação que atua positivamente nesta fase é o minoxidil, que pode ser usado via tópica, aplicada junto com outras substâncias de forma intradérmica ou pelo MMP e por via oral.

Agora, se só em uso da finasterida você está bem satisfeito com o resultado, não há necessidade de realizar tratamentos complementares.

 

Possíveis efeitos colaterais da finasterida:

Sempre no consultório a primeira pergunta é sobre a relação da finasterida com a libido e a ereção masculina.

Aqui este entendimento ficou bem mais fácil já que lá no começo do artigo você conheceu a produção dos hormônios sexuais.

 

A finasterida reduz a libido?

Lembra que a finasterida age na 5 alfa redutase impedindo a metabolização da dihidrotestosterona? Então, agora ela só pode ser metabolizada em estrogênio pela aromatase.  Vamos para a lógica. Pensa nesta via hormonal como se fosse uma mangueira com água que se divide em duas mangueiras menores. Agora, bloqueia uma das mangueirinhas. Como a água não pode passa mais por aí, ela só pode ser direcionada para a outra mangueirinha, aumentando o fluxo nela ou se acumular um pouco na mangueira maior. É exatamente isso que acontece na metabolização da testosterona. Há inicialmente um pequeno aumento da testosterona e um maior aumento do estrogênio, sendo que este atua lá na hipófise e informa a ela que a nossa quantidade de hormônios sexuais está mais alta, assim, ela naturalmente responde reduzindo a cascata de hormônio que leva a produção da testosterona. Literalmente o gerente entende que os funcionários estão trabalhando em excesso e reduzem o estímulo de produção.

Além de tudo, este aumento do estrogênio atua diretamente no centro do prazer levando a uma possível redução da libido, principalmente nos primeiros 3 meses do início da medicação, período em que há um reequilíbrio da produção hormonal.

Então? Com a minha libido não se brinca! Devo ou não usar a finasterida?

Calma nesta hora. A redução da libido quando acontece é maior nos 3 primeiros meses e passa com a suspensão da medicação. Caso você já apresente uma redução da libido ou um distúrbio de frequência sexual não te aconselharia o uso da finasterida, pois provavelmente irá piorar a libido. Se não, inclusive se tem um desejo sexual até maior que o parceiro(a), então pode iniciar que não irá levar uma redução da qualidade de vida.

 

A finasterida atrapalha na ereção?

Não. O hormônio sexual responsável pela libido é a testosterona. Nem a baixa da DHT e nem a alta do estrogênio estão associados a distúrbio da ereção, então a finasterida não leva atrapalha a sua ereção. Mas preste atenção: a libido é parte essencial para ser ter uma ereção, então se libido está baixa há uma redução da quantidade de ereções, principalmente as ereções matinais, aquela em que o homem já acorda com o pênis ereto.

 

A finasterida atrapalha a fertilidade?

Sim. Em alguns casos. Novamente lembre lá da cascata hormonal. Com o aumento do estrogênio, há uma redução da pulsatilidade dos hormônios LH e FSH. O FSH estimula a produção dos espermatozóides e o LH a produção de testosterona testicular e tanto a testosterona quanto dihidrotestosterona são essenciais no processo de maturação dos espermatozóides.

Em uso da finasterida pode haver uma redução da quantidade e da qualidade dos espermatozóides, que volta aos valores de base após 6 meses de sua suspensão.

Cerca de 30% dos homens apresentam uma alteração de base do espermograma, então sempre aconselho a realização de um espermograma antes do início da finasterida, pois se em uso da finasterida seu espermograma der alterado você não irá saber por 6 meses se esta alteração é pela finasterida ou prévia a ela e isso pode atrapalhar nos seus planos futuros de paternidade e levar um pouco à ansiedade.

 

A finasterida pode levar ao aumento das mamas nos homens?

Sim. Ela leva a um aumento do estrogênio e até uma pequena redução final da testosterona e a redução da relação testosterona/estrogênio é que leva ao surgimento da sensibilidade mamária e a ginecomastia, em que há um surgimento de glândulas mamárias do padrão do sexo feminino.  O ideal é uma relação testosterona/estradiol acima de 10. Valores abaixo de 5 tendem a levar à ginecomastia.

 

A finasterida leva ao inchaço?

Sim, pode haver. A causa é o aumento do estrogênio e este leva a retenção de água.

 

A finasterida também trata o aumento de pelos e acnes?

Sim. A finasterida reduz o aumento de pelos ocasionados pela testosterona, mas diferentemente na acne, estimulam o seu surgimento.

O motivo é que a finasterida é um inibidor específico da 5 alfa redutase tipo II, reduzindo então a produção da DHT tipo II e é esta que causa a queda de cabelo.
Mas a finasterida não atua na 5 alfa redutase tipo I e é essa que leva ao surgimento de acne. Pensando no mesmo exemplo das mangueiras descrito anteriormente, se há apertamos a mangueira da produção da DHT tipo II há um direcionamento da produção para a DHT tipo I e consequentemente, da acne.

Aqui também temos que tomar cuidado com o minoxidil oral em mulheres, pois apesar de impedir a queda de cabelos pela DHT, ele pode por ação sistêmica pode aumentar a quantidade de pelos em áreas típicas masculinas, como face, tórax, abdome e dorso.

 

A finasterida interfere na disposição corporal da gordura?

Sim, pode influenciar. Se há um aumento do estrogênio, tende a ter um aumento de gordura em área estrogênio dependentes, como em braços, flancos, culote e pernas. Além disto, a o estrogênio é lipogênico e com isso estimula o acúmulo de gordura.

 

A finasterida atrapalha na hipertrofia muscular?

Talvez. Sabemos que o hormônio que estimula as células satélites musculares e que levam a hipertrofia é a testosterona. Teoricamente não há um estímulo direto da musculatura pela DHT, mesmo esta se ligando mais intensamente e tendo uma ação 3 vezes mais forte que a testosterona.

Os estudos de anabolismo muscular com a finasterida são feitos principalmente em pacientes com câncer de próstata que faziam o uso da finasterida 5 mg junto com uma reposição de testosterona. Aparentemente, não há uma alteração significativa de força nos pacientes com ou sem uso da finasterida. Porém ao nos aprofundarmos nos dados dos estudos, percebemos que esta alteração não dita como não significativa chegava até 500 gramas de diferença.

Então na prática a minha orientação é:

Treina não perfeito, alimentação pode melhorar, sono inadequado ou outro distúrbio hormonal? A finasterida não fará tanta diferença na sua composição corporal e você ainda tem muitas coisas para melhorar.

Está treinando com treino com intensidade, volume e execução adequadas e progressivas, com uma dieta perfeita, dormindo bem e sem distúrbio hormonal e mesmo assim não está hipertrofiando? Talvez valeria a pena a tentativa da troca da finasterida por um outro tratamento e avaliar tanto a evolução da queda de cabelo quanto do ganho de massa muscular sem ela.

O cabelo é mais importante para você? Esquece a hipertrofia e foca no cabelo.

O cabelo é mais importante, mas a queda de cabelo é inicial e você tem dinheiro e uma boa área doadora para um implante de cabelo: Vamos “pagar” para ver.

Tem queda de cabelo e vai usar um esteróide anabólico? Tem que usar a finasterida ou a dutasterida porque a queda irá acelerar.

 

A finasterida estimula o catabolismo muscular:

Não. A testosterona é o hormônio que estimula o anabolismo muscular e a pequena ação da finasterida nela, não chega influenciar o processo de perda.

 

O que é a síndrome pós finasterida:

São reações adversas e persistentes no campo sexual, neurológico e físico em pacientes que fizeram o uso da finasterida.  É extremamente rara e até questionada a sua existência. A causa ainda não é completamente conhecida, mas pode ser porque a finasterida pode também bloquear a produção de alguns neuroesteróides no sistema nervoso central, como os moduladores dos receptores GABA, que apresentam ação ansiolítica.

O ARROZ É MESMO UM VILÃO PARA A DIETA?

As pessoas discriminam o arroz como o vilão ou o grande empecilho para o emagrecimento, por ser mais alto o índice glicêmico do qual sabemos que é um fator importante a se considerar no emagrecimento.

No entanto, mais importante que o índice glicêmico dos alimentos é a carga glicêmica, ou seja, o impacto que isso causa ao organismo e isso o que vai determinar é a refeição por completo.

Ou seja, embora o arroz integral tenha mais nutrientes, mais fibras e o índice glicêmico seja menor quando comparado com o arroz branco, o que vai determinar o impacto que o arroz vai causar ao seu organismo é a forma que você o come.

Por exemplo, se você adiciona uma fonte de proteína junto a essa refeição a diferença entre ambos os arrozes será insignificante no que diz respeito ao emagrecimento.

Em 100g de arroz integral temos: 124 kcal, 25,8g de carboidrato, 2,7g de fibra.

E em 100g de arroz branco temos: 128 kcal, 28,1g de carboidrato, 1,6g de fibra.

Depende da QUANTIDADE e da QUALIDADE do seu prato (vitaminas, minerais e fibras).

Exemplo: 1 proteína de boa qualidade, verduras e legumes, mix de sementes e azeite.

E uma dica para deixar o arroz branco mais nutritivo é adicionar legumes picadinhos e mix de sementes.

Portanto, podemos perfeitamente adequar o arroz na dieta de cada pessoa.

 

Esse artigo foi escrito pela nutricionista Leticia Tona.